Frustração, medo e um clima de incerteza marcaram a saída dos associados nessa terça-feira, 10, em Teutônia. O encontro, que reuniu cerca de 270 membros no ginásio da entidade, expôs as preocupações mais profundas sobre a atual situação financeira da organização e desencadeou reações intensas entre os presentes, refletindo o cenário crítico que assola a comunidade.
Airton Hepp, veterinário que trabalhou por 33 anos na Languiru, vive um misto de alívio e apreensão. “Foi uma conversa franca, aberta e que realmente apareceu alguma transparência. A gente nunca tinha tomado conhecimento dos números,” afirmou Hepp. Ele observa que a apresentação revela apenas as atividades negativas da cooperativa, gerando uma sensação de incerteza sobre o futuro da organização.
André Kich expressa um sentimento misto sobre a auditoria. “Na verdade, esperava um resultado conclusivo, mas isso tem dois viés de interpretação. O primeiro é que, na verdade, frustra um pouco para saber o que aconteceu, embora as evidências tenham sido muito grandes.” Kich considera que a auditoria investigativa foi bem conduzida, mas ressalta que ainda há um prazo adicional de 30 a 40 dias para que as partes envolvidas possam se manifestar. Ele analisa a situação como um reflexo de problemas operacionais e financeiros graves. “Esse problema operativo vai na base produtiva das técnicas utilizadas e do modo de produção e depois complementado por uma catástrofe financeira de juros que foram se acumulando”, enfatiza.
Já Renato Kreimer, outro associado, elogia o trabalho da auditoria e a coragem dos envolvidos em trazer à tona informações críticas. Ele sublinha que os associados precisam se impor para encontrar soluções que beneficiem a todos. “O associado tem que ser forte, ele é o dono da Languiru. Não podemos abandonar tudo.” enfatiza, referindo-se à necessidade de uma postura firme para garantir que a cooperativa ofereça soluções justas para as dificuldades enfrentadas.
“Tinha uma expectativa de que o resultado final ia sair.”
Liane Brackmann, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Teutônia, está preocupada com a atual situação da Languiru. “Tinha uma expectativa de que o resultado final ia sair. Agora tem ainda revisão, mais 40 dias, para entregar o resultado final da auditoria. Mas nós não aceitamos que, enquanto isso não sai, o nosso liquidante hoje fale em cobrança.”
Ela destaca que os agricultores não podem ser responsabilizados pelos prejuízos financeiros acumulados pela cooperativa durante os exercícios de 2022 e 2023, que chegam a meio bilhão de reais. Segundo Brackmann, os agricultores enfrentaram dificuldades significativas, incluindo a falta de alojamento pela cooperativa, e o sindicato está decidido a buscar uma solução que proteja os interesses dos produtores.

Responsabilização civil de ex-diretores
Na abertura da assembleia, o presidente liquidante, Paulo Birck, detalhou o funcionamento do encontro. O segundo item previsto, de votação, foi retirado. Trata-se do artigo 32 do estatuto da cooperativa, que estabelece aprovação dos associados para processar na esfera cível diretores em caso de suspeitas de irregularidades. Na avaliação de Birck, essa decisão seria prejudicada pelo fato do relatório ainda ser desconhecido por parte dos associados e dos atuais dirigentes.
“Estamos vendo essa auditoria pela primeira vez. Não temos informações suficientes para determinar abertura de processo”, afirmou. De acordo com ele, os documentos serão levados para a assessoria jurídica. Após análise técnica, o artigo voltará para análise dos associados. “Com um parecer jurídico, teremos mais condições”. Com isso, a responsabilização será votada na próxima assembleia, assegurou o presidente liquidante.”
Próxima assembleia
No dia 24 de setembro, haverá uma nova assembleia, para prestação de contas da Liquidação Extrajudicial referente ao primeiro semestre de 2024. Além disso, será proposta a reforma estatutária, material formulado pela Comissão para Estudo e Reforma do Estatuto, eleita em março deste ano para esta finalidade.