Jornal Nova Geração

VALE DO TAQUARI

Trem dos Vales retoma com passeios comemorativos

Cerca de 30 mil pessoas devem fazer o trajeto entre novembro e janeiro

Publicado dia 19 de novembro de 2021
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Percorrer 46 quilômetros em um carro é comum na região. Sobre trilhos, é mais difícil. Isso só é possível por meio do Trem dos Vales que, em 2h30min, possibilita aos turistas conhecerem 21 túneis e 17 viadutos. Os passeios iniciaram no dia 6 de novembro e ocorrem durante os meses de dezembro e janeiro. Duas outras edições já haviam sido feitas, em 2019 e 2020. A atração turística deve receber cerca de 30 mil visitantes este ano.

A Ferrovia do Trigo completa possui 289 km e demorou 67 anos para ficar pronta. O trem, que possui 12 vagões, utiliza 1 litro de diesel para cada 500m percorridos. O passeio de 46 km inclui o viaduto mais conhecido na região, o V-13, considerado o maior da América do Sul, com 143m de altura e 509m de extensão, em Vespasiano Corrêa, além dos viadutos Pesseguinho e Mula Preta, em Dois Lajeados.

Às 9h de domingo, 14, um grupo montado por uma agência de viagens saiu de Teutônia, com destino ao Trem dos Vales. Durante a manhã, conheceram outros pontos turísticos do Vale do Taquari, como a igreja São Pedro de Encantado e a Lagoa Garibaldi. A tarde foram até Muçum. O local é ponto de partida do trem que, devagar, a partir das 14h, começou a andar sobre os trilhos. O destino final foi Guaporé, às 16h35min. A viagem, porém, não terminou aí. Os turistas puderam fazer compras no Shopping Belas Guaporé, perto da estação ferroviária. Às 18h, retornaram à Teutônia.

A viagem

Quatro irmãs saíram da Serra Gaúcha para conhecer o Vale do Taquari

No vagão de número três estavam quatro irmãs: Irma Zilio Manica, 68, de Garibaldi, Elsa Carniel, 65, Olinda Zilio, 69, e Ivete Zilio, 63, ambas de Carlos Barbosa. Pela primeira vez fizeram, juntas, uma viagem. Uma dupla em cada lado, visualizam pedras, mato e também naturezas exuberantes, com lagoas e cachoeira. Em alguns momentos, ao passar pelos túneis, principalmente o mais longo, que durou cerca de 4 minutos para ser percorrido, o barulho do trem sobre os trilhos e o ar gelado foi a companhia delas e de outros passageiros.

Olinda foi convidada pelo neto, David Benincá, 21, para fazer o passeio. Ela estendeu o convite às outras três irmãs que nunca usaram trem para locomoção. Apesar do medo, por conta da altura ao passar nos viadutos, todas ficaram felizes por conhecer mais do Vale do Taquari. “A gente quase nunca sai de casa, então é um evento diferente. Foi especial”, destacam elas.

Turismo regional em evidência

Em 2021, a maior parte dos bilhetes foram comercializados por agências de viagens, o que oportunizou a estruturação de pacotes com a inclusão de outros atrativos turísticos da região.

O Trem dos Vales movimenta em torno de 20 pessoas entre maquinista, chefe de viagem, orientadores e atendentes. Nas estações, cerca de 25 pessoas desempenham as funções na recepção, segurança, venda de souvenirs, artesanato, lanches, bebidas e limpeza. Ainda, no transporte de retorno para as estações de origem, após passeio, em torno de 15 ônibus e respectivamente os motoristas.

Conforme o coordenador do projeto, Rafael Fontana, foram mais de 100 agências de turismo que comercializaram bilhetes e formaram grupos que contratam guias. Cada passeio movimenta no mínimo 1.250 refeições em estabelecimentos da região. Além de postos de combustível, farmácias, lojas, hotéis e pousadas.

“Além de conhecer e contemplar a estrutura e a paisagem que a viagem proporciona, os visitantes podem desfrutar das principais características que tornam o Vale destaque em acolhimento, entre elas, a gastronomia e as belezas naturais, gerando interação com o comércio, produtos e serviços”, observa.

Permanência dos passeios

Para Fontana, o projeto vem, a cada ano, consolidando-se como um excelente atrativo turístico para a região. Integra roteiros turísticos, pontos de alimentação, serviços de acomodação e alojamento, além de visitação. Em agosto foi encaminhado à companhia ferroviária Rumo, responsável pelos trilhos, o projeto executivo com a solicitação de autorização para passeios de forma regular.

“Estamos avançando. Porém o projeto definitivo é bem complexo e envolve uma série de fatores. Estamos aguardando a análise para darmos sequência nas próximas etapas. Enquanto isso, precisamos aproveitar os passeios que estão acontecendo e aprimorar os serviços e produtos”, afirma.

A Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) é responsável por investir na operação do trem. A venda dos bilhetes, auxilia nos custos e o excedente é aplicado em restauração de novos vagões e locomotivas que futuramente virão para a região, para a operação definitiva do trem.

Diversas paisagens podem ser vistas durante o trajeto de 46 quilômetros entre Guaporé e Muçum

Colinas e Estrela no futuro

De acordo com Fontana, em 2020 foi possível manter o trecho anterior, entre Muçum e Guaporé, e incluir Colinas e Roca Sales. Para este ano, foi permitida a aprovação do trajeto entre Muçum e Guaporé. “Nosso projeto futuro inclui Estrela, Colinas, Roca Sales, Muçum, Vespasiano Corrêa, Dois Lajeados e Guaporé”, ressalta.

Segundo o coordenador, o trecho da ferrovia entre Estrela e Colinas está desativado e necessita de melhorias para o transporte de passageiros. “No projeto executivo que encaminhamos para a Rumo, estamos propondo a reforma do trajeto. Nossa demanda está em análise junto à concessionária, não temos um prazo ainda definido, mas trabalhamos com a intenção de operar o Trem dos Vales desde Estrela até Guaporé”, frisa.

Outras edições

Em 2019, foram oito passeios com mais de 5 mil pessoas. O trajeto contempla cidades entre Muçum e Guaporé. Em 2020, quase 8 mil pessoas participaram das 12 viagens entre Colinas e Roca Sales, e 22 passeios entre Muçum e Guaporé.

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